Liguei o rádio. Na 90.7 estava tocando aquelas músicas que você sempre ouvia. No seu carro só tocava aquilo e quando eu cantava errado você me corrigia e achávamos graça. Então senti saudade. Resolvi estudar química e lembrei daquele dia que você tentou me ajudar e confundiu a fórmula do ácido fosfórico, rimos tanto. Senti sua falta.
Até na hora do café lembrei da gente, minha mãe comprou sonho americano na padaria perto da sua casa. Foi você quem comprou pra mim pela primeira vez, lembra? Senti solidão.
E quando eu vou deitar você também está lá: tem seu perfume no meu travesseiro, os ursos que você me deu estão em todos os cantos, a camiseta vermelha ao lado da cama e o abajur que você comprou no meu aniversário. Senti você por perto.
Para piorar um dos vizinhos tem um carro igual ao seu, até a placa começa com a mesma letra, ele passou e eu achei que poderia ser você. Senti esperança.
Minhas amigas falam algo e eu sempre digo "ele fazia isso", "ele adorava isso", "nossa, ele sempre falava assim". Elas não aguentam mais, eu também não.
Senti vontade de mandar mensagem, ligar, contar como foi o meu dia, foi quando liguei o rádio novamente e as suas músicas continuavam tocando. Então senti a dor me invadindo.
Chorei, senti muito por sentir tanto e por você não sentir nada.
Julia Ribeiro