quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O gosto do amor

  Era uma quarta-feira, 14 de maio, a chuva caía silenciosa e fina, você me esperava ao lado da igreja. Consegui te reconhecer mesmo de longe.
  Você olhava para os lados, tentando me procurar, parecia tenso. Eu ri e logo acenei para que se acalmasse. Porém, acho que não funcionou. Continuava nervoso.
  Caminhando até a igreja me apaixonei mais uma vez por você. Assim como me apaixonei no dia 4 de fevereiro e em todos os outros dias desde que nos conhecemos.
  Quando cheguei, você sorriu envergonhado, perguntou como eu estava e disse para irmos andando.
  Ao chegarmos perto de uma árvore seus passos se tornaram mais lentos e de repente você parou, aproximou sua mão do meu rosto, puxou-me para perto de ti e pela primeira vez, senti seus lábios encostarem nos meus.
  Uma mistura de cigarro com bala de maracujá (ou seria cereja?), um gosto doce e inexplicavelmente bom. Seus braços agora em minha cintura, nossos corpos cada vez mais próximos e nossos lábios em sintonia, desde o primeiro segundo em que se encontraram.
  O beijo acabou, mas eu continuava entrelaçada em seu abraço. E enquanto você me olhava, pude perceber sua pupila dilatando e seu rosto me mostrava o sorriso mais iluminado que eu já havia visto. Foi quando eu soube: era, e ainda é, você.
Julia Ribeiro