Não quero dizer que estou apenas nervosa
Ou que estou só pensando no que o futuro me reserva
Na verdade, eu sinto meus órgãos se embrulhando
Minha garganta me sufocando
E a dor no peito me atormentando
O silêncio me deixa engasgar
Atropelo todas as palavras e sentimentos
O suor faz meu corpo arrepiar
E escorre frio como um tormento
Quando digo que estou ansiosa
Não quero que ache que estou exagerando
Não faço uso de hipérboles
Sou só eu e meu eufemismo
É uma plateia meu desespero comemorando
É um poço sem fim onde estou afundando
É pior que qualquer geração do romantismo
Quando digo que estou ansiosa
É pra deixar claro:
Pedir calma não ajuda, só me deixa mais atordoada
É pra você saber que não sou eu que estou falando
É a ansiedade em mim mandando
Fazendo em quartos escuros eu me trancar
E mexer nas feridas abertas para não cicatrizar
Pensando que se for assim
Os meus fantasmas se esquecerão de mim
Quando digo que estou ansiosa
Significa que meu corpo está formigando
Minha mente negativa trabalhando
Significa que hoje eu não tive força para levantar da cama
E que eu precisava ouvir o quanto você me ama
Quando digo que estou ansiosa
Quero dizer que estou com taquicardia
Mas não é só hoje
É praticamente todo dia
Quando digo que estou ansiosa
Não quer dizer que é um estado
Eu quero dizer que é isso que eu sou
E é ela, minha companheira inseparável: a ansiedade
Ela me faz ter tanto medo de ser eu, de não ser nós
Julia Ribeiro
