O Sol do meio dia brilhava, podia sentir o calor em minha pele e a sensação de estar vivo ou sobrevivendo.Um homem caminhava pela calçada, não tão perto para que pudesse distinguir sua feição, nem tão longe já que percebi seu corpo entregue.
Parecia que carregava nas costas algo extremamente pesado. Enquanto ele se aproximava, observei seus olhos tristes, olhava para o chão, mas não o enxergava. Via outra coisa.
Um bebê passou por ele, depois um cão, depois um andarilho. Ele passou pela árvore mais bonita que eu já havia visto e nem olhou, não parou ao ver a arquitetura gótica da igreja, nem percebeu o casal de velhinhos apaixonados no banco da praça.
Quais seus objetivos? Por onde andava seu pensamento? Por que chegar é mais importante que caminhar? O que nos fortalece é o destino ou o caminho?
Foi quando eu concluí: ao sermos obcecados pelo destino, deixamos as paisagens, os ensinamentos e as pessoas de lado.
Quero as cicatrizes do caminho e não apenas a vitória da chegada. Não serei mais um corpo entregue andando por aí.
Julia Ribeiro