sexta-feira, 6 de maio de 2016

A voz jamais ouvida

Maria está grávida,
Menino ou menina,
A possibilidade é a mesma
De morrer numa chacina.

Pobre e negra,
Tudo o que almeja
O mundo a ela nega.

Tantas vezes discriminada.
Pelo seu país foi esquecida.
Na favela foi jogada
Pra "viver" a sua vida.

Nas costas, o mundo carregou,
Passou por muita dor.
Ninguém viu a sua luta,
Pois a acham inferior.

Sua voz jamais foi ouvida,
Nunca foi valorizada.
Só querem que esteja de partida,
Pois mulher empoderada,
Afeta a sociedade doentia.

Maria, pó se tornou.
Passou dessa, para outra vida.
Agora é número, é estatística.
Foi o mais longe que chegou.

Julia Ribeiro