sábado, 9 de janeiro de 2016

Morreu e floresceu

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Tenho que confessar. Não dá pra guardar mais:  Eu matei muitos na virada do ano! Eu sei, eu sei, é difícil de ouvir. Porém, sei que você matou também. Não adianta negar. Um ou outro você matou. Entende do que falo, não é? Não estou dizendo em pegar uma arma e "BUM!, morreu" . Não! Não é isso! 
  Talvez a frase "para mim fulano morreu" explique melhor. Entretanto, sem a parte do ressentimento. Não enterrei somente as pessoas, enterrei também todo sentimento ruim que elas trouxeram. Chega. Acabou. Ficou para trás. Por essas não sofro mais.
  Enterrei aquele amigo que não foi tão amigo assim, aquele amor que vacilou tanto que doía até quando ouvia o nome, a prima que não se importa se estou viva ou não, os falsos, os que na primeira oportunidade me abandonaram e aquele tio que nem se lembra mais de mim. 
  Porém, a morte de nenhum desses doeu tanto quanto a morte da esperança. A esperança de que eles iriam mudar, que lembrariam de mim, ligariam no meu aniversário, na Páscoa, no Natal. Tiveram até o último dia do ano e adivinha? Não. Não lembraram. Não ligaram. Não estiveram presentes.
  Talvez você esteja pensando sobre o motivo de eu não ter ligado. E tenho: cansei. Cansei de ser quem sente, quem procura, quem se preocupa. Espero ter morrido para eles também. Porque, caro leitor, matar é isso: deixar de querer bem, esquecer os momentos, as promessas, os sentimentos. Isso é matar no coração. Dói, é difícil, a gente chora, mas este luto passa e nos liberta, abre portas. Não importa quando matei ou quem, mas enterrei e floresceu! Nasceu gente nova, gente que merece um lugarzinho no meu coração. Quem somente ocupa espaço, merece esse tipo de esquecimento!
   Se você sabe que morreu para mim, por favor, não volte para me assombrar.
   

Julia Ribeiro